quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Fase



Não chega a ser tristeza, é um estado de meditação, contemplação interior.
Um voltar para dentro de si.
É um ficar quietinha,
Em estado de absoluta passividade.
É silenciar para o amadurecer.
Passiva por fora porém ativa por dentro.
Silenciosa por fora e numa atividade intensa por dentro!
Como se fosse passar do estágio de lagarta para se fazer crisálida,
A lagarta morre, vira crisálida,
a crisálida arrebenta nas costas e finalmente,
sai a borboleta que vai alcançar as estrelas com suas asas multi coloridas
A vida tomando forma distinta no próximo instante,
A maravilhosa evolução da alma!
A mutação do ser.
Cida Miranda

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Não precisa ser para sempre, mas precisa ser até o fim!
























‘Para sempre’, em minha opinião, é nada mais nada menos que um dia depois do outro. Ou seja, é construção. Em princípio, não existe. Mas basta que façamos a mesma escolha sucessivamente e teremos construído o ‘para sempre’.

O que quero dizer é que o ‘sempre’ não é magia nem tampouco um tempo que pré-exista. Ele é conseqüência. Nada mais que conseqüência de uma sucessão de dias, vividos minuto por minuto.

Quanto ao amor, tem gente que acredita que só é de verdade se durar “até que a morte os separe”. Outras, como o grande Vinícius de Moraes poetizou, apostam no “que seja eterno enquanto dure”.

Eu, neste caso, admiro a coragem de quem vai até o fim, de quem se entrega inteiramente ao que sente, de quem se permite viver aquilo que seu coração pede até que todas as chamas se apaguem. Mais do que isso: até que as brasas esfriem e – depois de todas as tentativas – nada mais possa ser resgatado do fogo que um dia ardeu.

Claro que não estou defendendo a constância indefinida de atitudes desequilibradas, exageros desnecessários ou situações destrutivas. Mas concordo plenamente com o que está escrito no comovente “Quase”, de Sarah Westphal (muitas vezes atribuído a Luiz Fernando Veríssimo):

... “Pros erros há perdão; pros fracassos, chance; pros amores impossíveis, tempo. De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma. Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance. Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar” ...

Porque de corações partidos por causa de um amor vivido pela metade as ruas estão cheias. Assim como de almas que perambulam feito pontos-de-interrogação, a se questionar o que mais poderiam ter feito para que o outro também estivesse presente, para que não fugisse tão furtivamente, tão covardemente, tão sordidamente.

É por isso que insisto: muito mais do que nos preocuparmos com o ‘para sempre’, precisamos começar a investir no ‘até o fim’, para que o ‘agora’ tenha mais significado, para que as intenções, as palavras, as atitudes e todos os recomeços façam parte de uma história mais sólida, menos prostituída, que realmente valha a pena.

Então, questione-se: o coração ainda acelera quando o outro se aproxima? O peito ainda dói de saudade? O desejo ainda grita, perturbando o silêncio da noite? Não chegou ao fim! Não acabou.

Sei que, em alguns casos, motivos de força maior impedem um amor de ser vivido (e daí a separação pode ser sinal de maturidade), mas na maioria das vezes o que afasta dois corações é muito mais intolerância, ilusões ou auto-defesas tolas do que algo que realmente justifique o lamentável desfecho.

O outro não quer? Desistiu? Acovardou-se? Ok! Por mais imbecil que seja, é um direito dele. Esteja certo de que você fez o que estava ao seu alcance e depois... bem, depois recolha-se e pondere: “pros amores impossíveis, tempo”.

Tempo em que você terminará descobrindo que a vida tem seu jeito misterioso de fazer o amor acontecer, mas que – no final das contas – feliz mesmo é quem, apesar de tudo, tem coragem de ir até o fim!
Rosana Braga


segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Eu te amo - Edson Marques












Com as palavras emprestadas de Edson Marques quero dizer:

Eu te amo
quando não preciso mais dizer te amo.

Eu te amo

quando reconheço
teu Direito de Fazer Escolhas.

Eu te amo

quando respeito tua própria liberdade
tanto quanto a minha.

Eu te amo

quando compreendo
tua vontade de às vezes ficar só.

Eu te amo
quando não te sufoco
com chiliques ou pressões.

Eu te amo
quando ponho afeto e gostosura
entre as nossas distâncias.

Eu te amo
quando aplaudo os teus desejos de voar.

Eu te amo
quando me convenço de que o ciúme
é o câncer do amor.

Eu te amo
quando te ajudo a ser mais livre do que era
quando eu te conheci.

Eu te amo
quando a recíproca a tudo isso
também é verdadeira.

Queria


Queria que ele me amasse intensamente
até que todas as formas imprecisas se esfacelassem.
Queria que seus atos fossem
despudorados,
intensos,
descompassados.
Queria que ele me invadisse,
me tomasse sem pedir licença.
Queria que o tempo parasse
no instante que ele me tocasse.
Queria que o mundo girasse loucamente
para lhe arrancar o centro e quem sabe assim me percebesse.
Queria que ele voltasse,
me olhasse
e a mim se entregasse
Queria...
Mas ele se coloca distante e eu mal consigo tocar-lhe
Vestido com sua armadura,
o guerreiro nao se permite a exposição,
não permite a fragilidade.
Mas por trás dessa postura existe o medo,
medo do desconhecido,
medo de amar e gostar.
Cida Miranda

sábado, 27 de dezembro de 2008



Tenho tanto a te dizer
Que nada consigo dizer
A vontade é de gritar
Chorar
Perguntar
Urrar
Eu quero dormir
fugir
sumir
E só acordar depois de tudo passar
Depois que eu deixar de te amar
E assim entender
Perceber
Compreender
Te ver sem querer te ter
Para enfim esquecer.

Cida Miranda