sábado, 31 de maio de 2008

A ESCOLA DOS BICHOS - Rosana Rizzuti



Conta-se que vários bichos decidiram fundar uma escola. Para isso reuniram-se e começaram a escolher as disciplinas.
O Pássaro insistiu para que houvesse aulas de vôo.
O Esquilo achou que a subida perpendicular em árvores era fundamental.
O Coelho queria de qualquer jeito que a corrida fosse incluída.
E assim foi feito, incluíram tudo, mas...cometeram um grande erro.
Insistiram para que todos os bichos praticassem todos os cursos oferecidos.
O Coelho foi magnífico na corrida, ninguém corria como ele.
Mas queriam ensiná-lo a voar.
Colocaram-no numa árvore e disseram: "Voa, Coelho".
Ele saltou lá de cima e "pluft"... coitadinho!
Quebrou as pernas.
O Coelho não aprendeu a voar e acabou sem poder correr também.
O Pássaro voava como nenhum outro, mas o obrigaram a cavar buracos como uma topeira. Quebrou o bico e as asas, e depois não conseguia voar tão bem, e nem mais cavar buracos.

SABE DE UMA COISA?
Todos nós somos diferentes uns dos outros e cada um tem uma ou mais qualidades próprias dadas por DEUS.
Não podemos exigir ou forçar para que as outras pessoas sejam parecidas conosco ou tenham nossas qualidades.
Se assim agirmos, acabaremos fazendo com que elas sofram, e no final, elas poderão não ser o que queríamos que fossem e ainda pior, elas poderão não mais fazer o que faziam bem feito.

RESPEITAR AS DIFERENÇAS É AMAR AS PESSOAS COMO ELAS SÃO!

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Relacionamentos Recicláveis


As pessoas se tornam, forçosamente, ilustres desconhecidas, já que as relações sociais são restringidas ao mínimo necessário para a sobrevivência.
Quanto menos for o envolvimento emocional ou afetivo com o outro, melhor.
Para não haver compromissos.
Para não haver carências.
Para não sofrer rupturas.
Vivemos a era da superficialidade dos relacionamentos.

Numa visão egoísta da vida, as pessoas querem obter em seus relacionamentos: Satisfação!
O casamento passou a ser não mais aquele compromisso "até que a morte separe", mas "até que surja uma nova opção".
Entram e saem de casamentos como se troca de roupa diante do espelho da vida, na busca daquela que componha melhor o figurino da ocasião.

As desgastadas, puídas, envelhecidas, põe-se de lado ou simplesmente elimina-se ou troca-se num brechó da esquina por uma outra meia boca.
Esquecem que relacionamento é uma via de mão dupla: à medida em que eu procuro satisfazer meu parceiro, eu sou satisfeita.

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Homem pé de mesa



Homem submisso é tão útil quanto pinça quebrada.
Tá bom, passamos as últimas décadas lutando para que eles sejam menos escrotinhos, não cutuquem o nariz em público, aprendam a lavar louça, saiam das fraldas e larguem do nosso pé.

Com toda a razão: o mundo seria eternamente um espartilho tamanho P se a cada botão caído eles nos acordassem para costurar ou se o maior espaço que tivéssemos na vida fosse entre a caixa do aspirador de pó e a sala de jantar.
Lutamos e conquistamos um monte de coisas. Colocamos os homens no cabresto e daí todos os nossos problemas… mudaram.
Domamos os machões, trabalhamos até 11 horas por dia, deixamos a receita para o jantar separada para a empregada, fazemos compras de supermercado na hora de almoço, cuidamos dos gatos, fazemos luzes no cabelo, trocamos o óleo do carro e ficamos cansadas feito um camelo velho. Agora, vem cá, depois dessa suave rotina, o que eu não quero nem preciso é um bundão que recorra a mim a cada cinco minutos: ‘Qual a cor de cueca que eu compro?’, ‘O que nós vamos fazer no fim de semana?’, ‘Em qual restaurante vamos levar o Ziguifrido e a Efigênia?’.
Talvez tenhamos exagerado um pouquinho nesse processo de domesticação masculina.
Preciso de um homem que não tenha aberto mão das idiossincrasias da sua testosterona e compre só cueca branca porque é mais fácil. Um homem que seja proativo o suficiente para programar um fim de semana que me surpreenda, mesmo que nem sempre seja uma surpresa tão boa assim (não dá para acertar todas). Preciso de um homem que leia o bendito guia semanal de qualquer jornal e reserve mesa num restaurante bacana que ainda não conhecemos. Um macho que beije meu pescoço, lamba minha orelha e me convença deliciosamente a praticar o nheco-nheco mesmo quando dou demonstrações explícitas de desânimo total. Um homem, enfim, não um garoto com medo de tomar bronca.
Mas para isso é preciso baixar a guarda. Chega desse papo de tratá-los como inimigos prestes a saquear nosso território se não estivermos sempre com o exército a postos. Vamos deixar para lá essa neura feminista de que é necessário fazer os mocinhos comerem na nossa mão para termos ‘o poder’. Chega de demonizá-los. Já lutamos e conquistamos um monte de coisas, inclusive uma que não esperávamos: uma carência desgraçada, que teima em morrer de vergonha de se mostrar e nos corrói imperceptivelmente. Uma necessidade quase desesperadora de acolhimento e carinho que, certamente, não será atendida (ou sequer percebida) por um bundão. Eles são bons em ligar para perguntar se aquela dor de cabeça passou, mas não têm presença de espírito para comprar um Tilenol.

A verdade é que não precisamos de homens submissos - por que raios nós gostaríamos de ser casadas com alguém sem opinião própria? Precisamos é de um pouco de semancol e, talvez, umas sessões de terapia para reaprender a pedir colo, ficar frágeis, fazer uma comidinha gostosa para ele simplesmente porque deu vontade. Voltar a não ter medo de ser mulher. Tudo pode ser mais simples se nos desarmarmos.
Sabe de uma coisa? Homem submisso é como ‘homem pé de mesa’: muito bacana e excitante na teoria, mas um transtorno na prática.

"VAMPIROS"



Eu não acredito em gnomos ou duendes, mas vampiros existem.

Fique ligado, eles podem estar numa sala de bate-papo virtual, no balcão de um bar, no estacionamento de um shopping.
Vampiros e vampiras aproximam-se com uma conversa fiada, pedem seu telefone, ligam no outro dia, convidam para um cinema.

Quando você menos espera, está entregando a eles seu rico pescocinho e mais.
Este "mais" você vai acabar descobrindo o que é com o tempo.

Vampiros tratam você muito bem, têm muita cultura, presença de espírito e conhecimento da vida. Você fica certo que conheceu uma pessoa especial. Custa a se dar conta de que eles são vampiros, parecem gente. Até que começam a sugar você. Sugam todinho o seu amor, sugam sua confiança, sugam sua tolerância, sugam sua fé, sugam seu tempo, sugam suas ilusões.

Vampiros deixam você murchinha, chupam até a última gota. Um belo dia você descobre que nunca recebeu nada em troca, que amou pelos dois, que foi sempre um ombro amigo, que sempre esteve à disposição, e sofreu tão solitariamente que hoje se encontra aí, mais carniça do que carne.

Esta é uma historinha de terror que se repete ano após ano, por séculos.
Relações vampirescas: o morcegão surge com uma carinha de fome e cansaço, como se não tivesse dormido a noite toda, e você se oferece para uma conversa, um abraço, uma força.
Aí ele se revitaliza e bate as asinhas.
Acontece em São Paulo, Manaus, Recife, Florianópolis, em todo lugar, não só na Transilvânia.
E ocorre também entre amigos, entre colegas de trabalho, entre familiares, não só nas relações de amor.
Doe sangue para hospitais.
Dê seu sangue por um projeto de vida, por um sonho.
Mas não doe para aqueles que sempre, sempre, sempre vão lhe pedir mais e lhe retribuir jamais.

Martha Medeiros

segunda-feira, 26 de maio de 2008

A Saudade que Fica...

Meu Grande e inesquecível amigo
Ricardo Fernandes Garcia

Todas as pessoas que passam pelas nossas vidas deixam as suas marcas num ir e vir infinito.
As que permanecem é porque simplesmente doaram seus corações para entrar em sintonia com a nossas almas.
As que se vão, nos deixam um grande aprendizado...
Não importa que tipo de atitude tiveram, mas com elas aprendemos muito...
Com as vaidosas e orgulhosas aprendemos que devemos ser humildes...
Com as carinhosas e atenciosas aprendemos a ter gratidão...
Com as duras de coração aprendemos a dar o perdão...
Com as pessoas que passam pelas nossas vidas aprendemos também a Amar de várias formas... com amizade, com dedicação, com carinho, com atenção, com atração, com paixão ou com desejo...

Mas nunca ninguém nos ensinou e nunca aprenderemos como reagir diante da"SAUDADE" que algumas pessoas deixaram em nós.

sexta-feira, 23 de maio de 2008


Renda-se como eu me rendi.
Mergulhe no que você não conhece, como eu mergulhei.
Pergunte, sem querer, a resposta, como estou perguntando.
Não se preoucupe em "entender".
Viver ultrapassa todo o entendimento.
Clarice Lispector

Do que adianta você ter essa alma colada aos ossos, dessa carne errada.
Sem o risco, a vida não vale a pena.
Se você não quiser arriscar, não comece.
Isso quer dizer: e se você arriscar e perder namorada, esposa, filhos, emprego, a cabeça e até a alma?
Mas é sempre melhor isso, do que olhar para todas essas outras pessoas que nunca acertam, porque nunca se propõem ao risco.

Para enxergar as coisas sem feitio, é preciso não saber nada.
É preciso entrar em estado de árvore.
É preciso entrar em estado de palavra.
Só quem está em estado de palavra pode enxergar as coisas sem feitio.
(Manoel de Barros)

terça-feira, 20 de maio de 2008

APOLOGIA DE UM SENTIMENTO



Eu não faço apologia do que sinto,
Apenas escrevo, em linhas tortas o que penso.
Este sentimento não divido com ninguém:
duvido de todos e de mim mesmo,
e se te disser que eu não ligo,
minto;
mas, parece, não minto muito bem.
Também sei que o ódio pereceu ontem à tarde,
mas ainda quero esquecer-te pela manhã.
Sai de mim,
sai da minha vida,
sai da minha alma
e da minha bebida,
nunca mais quero provar do teu afã.
E que me perdoem os moderninhos e modernistas,
mas adoro essas rimas imprevistas,
indecisas,
intensas,
imprecisas,
imensas,
de sons indeléveis e inefáveis,
rimas cruas,
palavras nuas a estilhaçar meus sentimentos frágeis.
Não, eu não faço apologia do que sinto,
apenas deste sentimento que invento:
é assim que largo o tosco verbo amar ao vento,
é assim, então, que em vão tento esquecer-te...

Frodovino Lemos de Oliveira

Espelhos da Alma...



Como expectadores da vida alheia, julgamos diariamente os gestos e atitudes do nosso próximo.
Quem diz que nunca julga, não é honesto consigo mesmo.
Quando fazemos um comentário, qualquer que seja, estamos julgando.
Cada vez que exprimimos uma opinião pessoal sobre alguma coisa, fato ou alguém, estabelecemos um julgamento, justo ou injusto. E quando somos nós o centro da platéia, pedimos clemência, tolerância, imploramos interiormente para que se coloquem no nosso lugar e tentem entender nossas ações ou reações.
Colocar-se no lugar do outro para entendê-lo, seria entrar no seu coração e alma, sentir suas emoções, vestir sua pele.
Impossível!
Cada um de nós é único e mesmo aquelas pessoas que mais amamos não nos transferem suas dores tais e quais.
Sentimos sim, quando sofrem, mas por nós, porque nossa própria alma se entristece.
Deveríamos, todos, possuir um espelho da alma, para que pudéssemos nos olhar interiormente antes de julgarmos outras pessoas.
Sentiríamos, provavelmente, vergonha dos nossos pensamentos.
Por que nosso próximo é tao exposto às imperfeições, falhas, pecados, más ou boas decisões, quanto nós.
Se houvesse uma câmera capaz de revelar aos outros nossos pensamentos diários, iríamos estar sempre fugindo dela.
Por quê?
Porque ante a possibilidade de que seja revelado nosso eu, seríamos muito mais honestos conosco.
Isso nos tornaria, talvez, mais tolerantes e mais humildes.
Quando alguém sofre porque está atravessando por um caminho pedregoso, dói nessa pessoa não somente a passagem por esse caminho, mas também o olhar dos outros, que condenam sem piedade, as línguas que ferem mais profundamente que facas e punhais.
As pessoas que esquecem facilmente que tiveram um passado que, mesmo se correto, nunca foi um lago de água transparente, porque puras, só as criancinhas.
E ninguém pode dizer o que virá amanhã, se houver amanhã.
Ninguém está ao abrigo das chuvas repentinas da vida, das torrentes que podem levar tudo, dos males que podem atingir o corpo, às vezes a mente. Apenas um minuto e tudo pode se transformar.Então... melhor exercer a tolerância, a bondade, a compaixão, antes de julgarmos se outros estão certos ou errados, se têm ou não razão.
E quando a tentação for grande de olhar o que se passa com outros, bom mesmo é se lembrar do espelho que deveria retratar nossa imagem interior que pediria, certamente, compreensão.E como não sabemos o que o amanhã nos reserva, vivamos o dia de hoje com sabedoria, coração amoroso para com o próximo e olhar voltado para o Alto.

(Letícia Thompson)



Antes de julgares, saiba que teus olhos atentos aos possíveis erros dos outros podem estar cegos diante dos teus.
Antes de julgares, perceba que aquilo que tanto recriminas hoje, talvez precise ser a tua realidade de amanhã.
Antes de julgares, repara que toda história tem duas versões e duas versões são duas verdades.
Antes de julgares, aceita que invariavelmente uma parte, por menor que seja, de uma história, tu não terás acesso.
Antes de julgares, entenda que não serão mil bocas que te esclarecerão qualquer coisa, elas apenas te confundirão.
Antes de julgares, escuta o silêncio, ele costuma fornecer grandes dados.
Antes de julgares, observa os olhos, eles são mais reveladores do que as bocas. Eles deixam provas irrefutáveis da verdade.
Antes de julgares, presta atenção à tua volta. Quantos foram condenados injustamente por mestres em julgamento?
Antes de julgares, lembra que tu mesmo já foste vítima de calúnias e por vezes não tiveste como te defender delas.
Antes de julgares, olha-te no espelho, observa com atenção o teu semblante, pensa na tua vida e questiona-te se estás em condição de julgar alguém.

Antes de julgares, recorda-te que Cristo foi julgado, condenado e crucificado sem direito à defesa.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

É preciso Agir...



Primeiro levaram os negros,
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
Em seguida levaram alguns operários,
Mas não me importei com isso.
Eu também não era operário.
Depois prenderam os miseráveis,
Mas não me importei com isso, porque eu não sou miserável.
Depois agarraram alguns desempregados,
Mas como eu tenho um emprego, também não me importei.
Agora... Agora estão me levando. Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém, ninguém se importa comigo.

O poema grave é de Bertolt Brecht, influente dramaturgo e poeta alemão do século XX.
A questão gravíssima é do ser humano, desnudado em linhas poéticas, exposto pelo pensador que aqui nos convida a refletir sobre a indiferença.
A vida individualista, que prioriza o eu em detrimento do outro, apresenta-se como um dos problemas mais sérios da atualidade humana.
O egoísmo, a cobiça, o medo, transformaram grande parte dos seres em autômatos ilhados.
Autômatos, sim, pois evitam pensar, refletir, ponderar, em nome de uma falsa falta de tempo.
Autômatos que se plugam na tomada pela manhã, e se desplugam à noite, sem terem realmente estado presentes em seus dias, em suas próprias vidas.
Ilhados também, pois se isolam das pessoas, do contato humano.
Não se pode mais confiar em ninguém, não se pode mais contar com ninguém.
Todos são suspeitos... – afirmam alguns.Ilhados, usam das tecnologias do mundo moderno, que visam apenas auxiliar o homem em suas tarefas, para manterem uma distância segura do Mundo.
E o virtual parece ser mais seguro, mas fácil que o real...
Enganamo-nos em nome de uma suposta segurança.
Assim deixamos de nos importar com os outros, vivendo um constante salve-se quem puder, como se o desespero fosse grande auxílio.
E quanto mais nos afastamos, mais difícil é a volta.
Amizades que deixamos de cultivar na infância, na juventude, hoje fazem falta a muitos homens e mulheres, vítimas de transtornos psicológicos, como a depressão.
Relacionamentos familiares fortes, envolvendo cumplicidade e carinho, no futuro nos farão falta, pois quando precisarmos nos abrir, desabafar, perceberemos que não temos intimidade com ninguém para tal.
É preciso agir. Agir enquanto há tempo. Será tão difícil dar atenção, se importar com aqueles que estão ao nosso redor?
Será tão difícil romper esta barreira da indiferença, e perguntar:
Como você está? – realmente desejando saber como anda a vida do outro?
O Mundo não sou eu mas os outros.
O Mundo somos nós.
Estamos todos expostos ao mesmo tipo de experiências, às mesmas provações, aos mesmos aprendizados.
É preciso agir.
É preciso se importar mais.
Quebra o gelo da indiferença, e perceberás que as águas que irão verter aplacarão tuas sedes mais secretas.
Desperta ainda hoje, e perceberás que o brilho do sol é mais seguro do que a escuridão dos olhos fechados.


Redação do Momento Espírita com base em poema de Bertolt Brecht (1898-1956).

Decepcao nao mata,ensina a viver!



Existe uma diferença fundamental entre desilusão e decepção.
A primeira tem a ver com idéias ou fantasias que criamos sobre determinada pessoa ou situação que, com o tempo e a experiência, se apresenta totalmente diferente na realidade.
A decepção é mais forte. É quando conhecemos algo ou alguém, temos uma idéia formada sobre isto e encaramos um revés uma mudança sem avisos, um turbilhão de comportamento e julgamentos diferentes ao que havíamos conhecido e experimentado.
É quando surge a dúvida mais cruel que uma pessoa pode ter em relação à outra, quando nos perguntamos: Será que foi sempre assim e eu não percebi?
Será que estava escondendo e me enganando o tempo todo?

Temo perder de vez a esperança no ser humano, temo ficar desconfiado a ponto de antes que alguém terminar a frase eu já esta pensando que há uma segunda intenção.
Fico olhando desconfiado alguns vendedores, não perco mais tempo com programas políticos, conto o dinheiro várias vezes quando saco num caixa eletrônico e tento obter certeza de que ninguém viu a senha digitada. Suspeito de e-mails com anexos, de ligações com numero não identificado, de gente que vem puxar papo sem me conhecer, de promessas mirabolantes e de paixões repentinas.
Uma decepção deixa marcas profundas, podemos amenizá-las, mas apagá-las totalmente acho muito difícil.
Quem vive é passível de decepcionar e ser decepcionado.

domingo, 18 de maio de 2008

É a Roda VIVA


Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá
Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá
A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola prá lá
O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá.
Música: RODA VIVA Chico Buarque

quarta-feira, 14 de maio de 2008


No céu da minha boca não há fogos de artifício.
Só estrelas...
Os saudáveis enlouquecem.
Os outros ficam por aí, parecendo normais...
Edson Marques

terça-feira, 13 de maio de 2008

Tem época na vida da gente que parece que os encontros que deveriam ser uma oportunidade de se sentir satisfeito e feliz são mais uma afronta ao nosso coração.
Assim, vamos contabilizando decepções e desacreditando na possibilidade de viver uma experiência positiva e motivadora. Quando isso acontece, o melhor é parar, fazer uma pausa para aprender. Ou melhor, antes apreender.
Perceber o que está acontecendo, quais são nossos verdadeiros desejos e quais têm sido nossas atitudes para torná-los concretos.
Muitas vezes, fazendo uma análise mais justa e desapegada, sem assumir o papel de vítima das armadilhas da vida, nem da sacanagem dos outros e nem o de culpado, como se tudo o que fizéssemos estivesse definitivamente errado, terminamos descobrindo que há alguma incoerência nisso tudo.
Só que para tanto, precisamos de tempo... e principalmente de coragem para admitir limitações, assumir pensamentos negativos e confiar mais na sabedoria da vida e em seu ritmo.
O que acontece, no entanto, é que a maioria de nós não quer esperar, não quer refletir.
Tem apenas um único pensamento que alimentamos o tempo todo:
quero namorar, quero ter alguém!!!
Será que estar com alguém é o mesmo que estar feliz?
Pode ser que sim, mas pode ser que não; e se por qualquer motivo você não tem ficado com quem deseja, talvez seja o momento ideal para um intervalo, tão útil entre uma decepção e outra...
Tempo de se observar, de observar as pessoas e ouvir o que elas dizem.

Tempo de aprender, crescer, ter uma nova conduta, desenvolver uma nova postura.
Aguardar até que a vida lhe mostre qual é o melhor caminho a seguir. Mas para ver, você precisa estar atento, sem tanta ansiedade, sem tanto desespero para tentar fazer com que as coisas aconteçam do jeito e na hora que você quer...
E se nenhuma resposta vier, talvez você precise ver e ouvir com o coração.

Respeitar o silêncio.
Aceitar a ausência de quem você tanto deseja encontrar...
Talvez não haja uma resposta e nem haja uma explicação.
Às vezes, simplesmente não existem respostas nem explicação.
Apenas a vida. Apenas as pessoas. Apenas o mundo. Apenas a dor e o amor.
E se insistirmos em não aceitar, em brigar, em nos rebelar, em nos revoltar... conseguiremos tão somente mais dor... e menos amor.
Aceite que você não tem o controle, que você não pode decidir sozinho, que o universo tem seu próprio ritmo. Faça o que está ao seu alcance; faça a sua parte... e bem feito; da melhor maneira que puder.
E o que não puder, entregue e espere... porque embora diga sabiamente a música de Geraldo Vandré (Pra não dizer que não falei das flores) "quem sabe faz a hora, não espera acontecer", tem ocasiões nesta vida em que 'quem sabe, espera acontecer e respeita a hora de não fazer'... até que um dia, o amor de repente acontece... porque seu coração estava exatamente onde deveria para ser encontrado.


Texto de Rosana Braga, jornalista, palestrante e escritora. www.rosanabraga.com.br

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Sou...





Hoje, um amigo me perguntou: Porque Enlouquecida????

Porque...
Sou tanta coisa.
Sou simples e ao mesmo tempo tão complicada.
Sou Complicada e perfeitinha.
Sou tudo e Sou nada
Sou todas estações do ano, todas as fases da lua
Sou dia, Sou Sol …
Sou noite, sou lua, Sou de Lua, Lua Cheia …
Sou céu sem lua, apinhado de estrelas
Sou cometa, satélites
Sou amanhecer, Sou nuvens,
Sou vento, Sou brisa suave,
Sou chuva forte, Sou aguaceiro e tempestade,
Sou o arco-íris depois da chuva
Sou barraca, violão e fogueira
Sou Primavera até no inverno…
Sou Margarida, Sou girassol…
Sou Outono … Sou arvore seca, folha caída,
Sou vento forte que arrasta …
Sou Inverno …Sou frio, Sou cachecol, Sou casaco de lã quentinho,
Sou cobertor pesado, Sou edredon macio,
Sou chocolate quente, Sou chá morninho,
Sou capim do mato,
Sou cheiro de fruta de vez, de terra molhada denunciando chuva.
Sou cheiro de incenso
Sou chimarrão solito, sou téras louco, muito louco,
Sou café no fim da tarde, e a cerveja trincando.
Sou movida a música o dia todo,
Sou blogs, Sou e-mail, Sou Power Point, foruns
Sou amiga, até de baixo d’agua,
Sou desconfiada,
Sou teimosa,
Sou persistente,
Sou impaciente,
Sou faladora,
Sou silêncio,
Sou adulta, Sou criança, sou mãe, de fato e de direito, sou tia e até tia avó sou
Sou rabugenta…Sou insana
Sou preguiça aos domingos, sou tediosa, por vezes sou TPM
Sou carinhosa,
Sou solidão, sou sorrisos, sou risos,
Sou choro, Sou lágrimas, Sou gargalhadas, Sou emotiva …
Sou branco, Sou rosa, Sou azul, sou multicolorida.
Sou saia curta, sou pés descalço e de vez em quando sou até pés no chão
Sou ar livre, Sou natural …Sou caminhar sem parar, sem destino, sem lugar …
Sou carro para viajar, para passear, Sou bicicleta, Sou cavalo a galopar,
Sou livre para voar
Sou paraquedas a saltar
Sou fogo, Sou Amor, Sou selvagem, Sou princesa, Sou delírio, Sou intensidade, coragem, sinceridade, verdade.
Tenho milhões de definições,
Todas imperfeitas,
Lógicas e insensatas
Corretas e erradas
Sou música, Ecoô, sacudo,
Sou fogo, Sou água incinero Afogo, destruo
Sou tempo Sou clima, Sem fases e sem medidas
Sou vento Sou furação, Arrasto, devasto carrego
Sou veneno, sou antídoto,
Sou prisão e abandono
Luz e escuridão.
Sou Gosto, tato olfato
Sou tudo
Sou eu, Sou você. Sou Nós...
enfim sou essa e aquela, sou outra e sou eu mesma…
Sou Cidinha, sou cidoca, sou cidowsk, Sou TiaXida,
Sou a Cida aparecida, enlouquecida

Filhos...



Uma mulher que carregava o filho nos braços disse:

"Fala-nos dos filhos."
E Gibran falou:

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.


Kahlil Gibran, O Profeta

Nós, mães sempre desejamos dar a nossos filhos o melhor que podemos, em todos os aspectos. Mas o que é "o melhor"?
Como compreender a sabedoria das palavras de Kahlil Gibran???
Temos que aprender primeiro quem eles são, para assim apoiá-los conforme suas necessidades e não conforme as nossas.
Eita tarefinha dificil, as vezes...

Já dizia Vinicius de Moraes:

Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não te-los
Como sabê-lo?

domingo, 11 de maio de 2008

A meus filhos Marina e Guilherme



Curioso como os filhos têm uma visão peculiar a respeito de mãe.
Para eles parece existir: mulheres, homens e... Mãe!
Nenhum filho admite que sua mãe possa ter sentimentos iguais a qualquer mortal.
Como se o fato de ser mãe a tornasse um ente diferenciado, quase amorfo.
Para filho, seja ele homem ou mulher, a mãe dos outros difere da sua.
Outras mães podem ter fraquezas, mas a sua, jamais! Claro que a mãe dos outros pode ter desejos que toda mulher tem, mas a sua... Capaz!
Às vezes fico pensando como será que um filho imagina que veio ao mundo! E não me refiro as crianças, quase inocentes, já que hoje desconfio que os bebês já nasçam com alguma malícia que os prepara para adaptar-se a este mundo, tão cheio de contrastes e idiossincrasias.
O fato é que é engraçado observar o comportamento de filhos. Em sua grande maioria, independente da idade, é capaz de discutir e por vezes até brigar com sua mãe. No entanto, se alguém ousar mencionar qualquer pequenina falha, atribuída a ela, transforma-se em defensor dos fracos e oprimidos e não perdoa quem cometeu tal deslize.
Reclamam constantemente de super proteção, abominam o que chamam pegar no pé e sentem-se sempre dispostos a uma boa discussão defendendo o direito que têm de errar sozinhos. Porém, no instante seguinte, estão esperando ajuda, indispondo-se com qualquer um que possa estar “roubando” sua atenção!

Ser mãe


A missão de ser mãe quase sempre começa com alguns meses de muito enjôo, seguido por anseios incontroláveis por comidas estranhas, aumento de peso, dores na coluna, o aprimoramento da arte de arrumar travesseiros preenchendo, espaços entre o volume da barriga e o resto da cama.
Ser mãe é não esquecer a emoção do primeiro movimento do bebezinho dentro da barriga; o instante maravilhoso em que ele se materializou ante os seus olhos, a boquinha sugando o leite, com vontade, e o primeiro sorriso de reconhecimento.
Ser mãe é ficar noites sem dormir, é sofrer com as cólicas do bebê e se angustiar com os choros inexplicáveis: será dor de ouvido, fralda molhada, fome, desejo de colo?É a inquietação com os resfriados, pânico com a ameaça de pneumonia, coração partido com a tristeza causada pela morte do bichinho de estimação do pequerrucho.
Ser mãe é ajudar o filho a largar a chupeta e a mamadeira. É leva-lo para a escola e segurar suas mãos na hora da vacina.
Ser mãe é se deslumbrar em ver o filho se revelando em suas características únicas, é observar suas descobertas. Sentir sua mãozinha procurando a proteção da sua, o corpinho se aconchegando debaixo dos cobertores.É assistir aos avanços, sorrir com as vitórias e ampara-los nas pequenas derrotas. É ouvir as confidências.
Ser mãe é ler sobre uma tragédia no jornal e se perguntar: “e se tivesse sido meu filho?”E quando vir fotos de crianças famintas, se perguntar se pode haver dor maior do que ver um filho morrer de fome.Ser mãe é descobrir que se pode amar ainda mais um homem ao vê-lo passar talco, cuidadosamente, no bebê ou ao observa-lo sentado no chão, brincando com o filho. É se apaixonar de novo pelo marido, mas por razões que antes de ser mãe consideraria muito pouco românticas.É sentir-se invadir de felicidade ante o milagre que é uma criança dando seus primeiros passos, conseguindo expressar toscamente em palavras seus sentimentos, juntando as letras numa frase.
Ser mãe é se inundar de alegria ao ouvir uma gargalha gostosa, ao ver o filho acertando a bola no gol ou mergulhando corajosamente do trampolim mais alto.
Ser mãe é descobrir que, por mais sofisticada que se possa ser, por mais elegante, um grito aflito de “mamãe” a faz derrubar o suflê ou o cristal mais fino, sem a menor hesitação.
Ser mãe é descobrir que sua vida tem menos valor depois que chega o bebê. Que se deseja sacrificar a vida para poupar a do filho, mas ao mesmo tempo deseja viver mais – não para realizar os seus sonhos, mas para ver a criança realizar os dela.É ouvir o filho falar da primeira namorada, da primeira decepção e quase morrer de apreensão na primeira vez que ele se aventurar ao volante de um carro.É ficar acordada de noite, imaginando mil coisas, até ouvir o barulho da chave na fechadura da porta e os passos do jovem, ecoando portas adentro do lar.Finalmente, é se inundar de gratidão por tudo que se recebe e se aprende com o filho, pelo crescimento que ele proporciona, pela alegria profunda que ele dá.
Ser mãe é aguardar o momento de ser avó, para renovar as etapas da emoção, numa dimensão diferente de doçura e entendimento.É estreitar nos braços o filho do filho e descobrir no rostinho minúsculo, os traços maravilhosos do bem mais precioso que lhe foi confiado ao coração: um espírito imortal vestido nas carnes de seu filho.A maternidade é uma dádiva. Ajudar um pequenino a desenvolver-se e a descobrir-se, tornando-se um adulto digno, é responsabilidade que Deus confere ao coração da mulher que se transforma em mãe.E toda mulher que se permite ser mãe, da sua ou da carne alheia, descobre que o filho que depende do seu amor e da segurança que ela transmite, é o melhor presente que Deus lhe deu.

sábado, 10 de maio de 2008

Um anjo do céu...


Meu anjo
Me ensinou que as lágrimas, não são só de tristeza.
Que se pode mesclar, lágrimas com sorrisos.
Me fez entender, que o adeus é só um aceno.
Ninguém parte verdadeiramente.
Me ensinou a sorrir, a ser feliz...
Ensinou que a dor e o sofrimento,
são fardos que podemos carregar, sem tropeçar.
Sua luz protetora e
Suas asas transparentes,
Sempre estiveram presentes
Chegou e partiu de mansinho
como o mais doce, de todos os anjos.

Como um anjo,
veio em sua missão e
em seguida foi embora...!
Um ano se passou e você continua aqui...
Um dia nos encontraremos novamente.

"Por que você não sai de trás da nuvem?
Pro mar ficar mais lindo, só falta você!
A minh'alma fica mais tranqüila
A vida harmoniza quando penso em você.
Hoje eu caminhei a praia inteira
Com os pés na areia, coração em alto mar
Vida é brisa passageira, não deixa passar

...De repente uma nuvem encobriu a lua e o mar escureceu...

Cadê Ana Lua?

sexta-feira, 9 de maio de 2008

AFINIDADE - Arthur Távola

Não é o mais brilhante, mas é o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
Não importa o tempo, a ausência, os adiantamentos, a distância, as impossibilidades.
Quando há AFINIDADE, qualquer reencontro retoma a relação,o diálogo, a conversa, o afeto, no exato pontode onde foi interrompido.
AFINIDADE é não haver tempo mediante a vida.

É a vitória do adivinhado sobre o real, do subjetivo sobre o objetivo, do permanente sobre o passageiro, do básico sobre o superficial.
Ter AFINIDADE é muito raro, mas quando ela existe, não precisa de códigos verbais para se manifestar.

Ela existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixam de estar juntas.
AFINIDADE é ficar longe, pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem, sensibilizam.
AFINIDADE é receber o que vem de dentro com uma aceitação anterior ao entendimento.
AFINIDADE é sentir com...

Nem sentir contra, sem sentir para...
Sentir com e não ter necessidade de explicação do que está sentindo.
É olhar e perceber.
AFINIDADE é um sentimento singular, discreto e independente.

Pode existir a quilômetros de distância, mas é adivinhado na maneira de falar, de escrever, de andar, de respirar.....
AFINIDADE é retomar a relação no tempo em que parou.

Porque ele (tempo) e ela (separação) nunca existiram.
Foi apenas a oportunidade dada (tirada) pelo tempo para que a maturação pudesse ocorrer e que cada pessoa pudesse ser cada vez mais.
Arthur Távola
Um homem culto, sensível, inteligente.
Com certeza o Brasil ficou mais pobre hoje.

A VIDA ENSINA ... Távola


Se você pensa que sabe; que a vida lhe mostre o quanto não sabe.
Se você é muito simpático mas leva meia hora para concluir seu pensamento; que a vida lhe ensine que explica melhor o seu problema, aquele que começa pelo fim.
Se você faz exames demais; que a vida lhe ensine que doença é como esposa ciumenta: se procurar demais, acaba achando.
Se você pensa que os outros é que sempre são isso ou aquilo; que a vida lhe ensine a olhar mais para você mesmo.
Se você pensa que viver é horizontal, unitário, definido, monobloco; que a vida lhe ensine a aceitar o conflito como condição lúdica da existência.
Tanto mais lúdica quanto mais complexa.
Tanto mais complexa quanto mais consciente.
Tanto mais consciente quanto mais difícil.
Tanto mais difícil quanto mais grandiosa.
Se você pensa que disponibilidade com paz não é felicidade; que a vida lhe ensine a aproveitar os raros momentos em que ela (a paz) surge.
Que a vida ensine a cada menino a seguir o cristal que leva dentro, sua bússola existencial não revelada, sua percepção não verbalizável das coisas, sua capacidade de prosseguir com o que lhe é peculiar e próprio, por mais que pareçam úteis e eficazes as coisas que a ele, no fundo, não soam como tais, embora façam aparente sentido e se apresentem tão sedutoras quanto enganosas.
Que a vida nos ensine, a todos, a nunca dizer as verdades na hora da raiva.
Que desta aproveitemos apenas a forma direta e lúcida pela qual as verdades se nos revelam por seu intermédio; mas para dizê-las depois.
Que a vida ensine que tão ou mais difícil do que ter razão, é saber tê-la.
Que aquele garoto que não come, coma.
Que aquele que mata, não mate.
Que aquela timidez do pobre passe.
Que a moça esforçada se forme.
Que o jovem jovie.
Que o velho velhe.
Que a moça moce.
Que a luz luza.
Que a paz paze.
Que o som soe.
Que a mãe manhe.
Que o pai paie.
Que o sol sole.
Que o filho filhe.
Que a árvore arvore.
Que o ninho aninhe.
Que o mar mare.
Que a cor core.
Que o abraço abrace.
Que o perdão perdoe.
Que tudo vire verbo e verbe.
Verde. Como a esperança.
Pois, do jeito que o mundo vai, dá vontade de apagar e começar tudo de novo.
A vida é substantiva, nós é que somos adjetivos.

PAPO DISPERSIVO SOBRE A PAIXÃO

Morreu nesta sexta-feira aos 72 anos em sua casa
no Rio de Janeiro, o ex-senador e jornalista
Paulo Alberto Monteiro de Barros,
conhecido como Artur da Távola.
Ele sofria de problemas cardíacos desde

agosto de 2007, quando esteve internado por longo período.

As pessoas amam bem mais a expectativa do amor possível, que o amor propriamente dito. Daí a intensidade dos impulsos bloqueados, os que estão impedidos de expansão e movimento na direção do objeto amado.
Os "grandes amores" da literatura são grandes, não por serem amores, mas por serem impossíveis. Já os grandes amores da vida real só quem sente é que sabe.
A impossibilidade de dimensionar um impulso afetivo carrega de energia a fantasia. E esta se encarrega de dar dimensão ao que o exercício da relação, talvez, tirasse.
Na paixão impossível só estão as projeções do que idealizamos, pretendemos ou não conseguimos viver em nosso cotidiano. Daí ser fácil entender sua força, sua obsessiva presença na cabeça dos enamorados. É por isso, aliás, que só é musa quem é inatingível. Case-se com a sua musa e acordará com uma jararaca...
Case-se com quem ama e será feliz.
Quer se ver livre de uma paixão colossal?
Vá viver com a pessoa objeto da paixão (observem, por favor, que não estou usando a palavra amor). Aliás, já está nos clássicos e, mesmo, antes destes, nos antigos: "A conquista enobrece e a posse avilta".
Ou, como dizia Goethe: "Nas batalhas da paixão, ganha aquele que foge". Quantas vezes as relações humanas terminam ou se interrompem sem terem esgotado o potencial de possibilidades adivinhadas, intuídas, sentidas. Aí, o que não se esgotou clama por vir à tona e, muitas vezes, ameaça ocupar (e às vezes ocupa, efetivamente) todo o "ego". Não é por outra razão que o apaixonado é o maior dos egoístas.
Ao dedicar tudo ao objeto da paixão, está é alimentando a própria necessidade, seja de sofrimento, de idealização, de felicidade ou fantasia. Entupido de impossibilidades, ele clama. E a isso muitos chamam amor.
Mas amor é coisa muito diversa...

Amor não clama nem reclama: amor dá.
http://www.arturdatavola.com/
Em seu site, é possível encontrar alguns de
seus poemas e de suas crônicas.

A alquimia do relacionamento






"O encontro de duas pessoas é como o encontro de duas substâncias químicas.
Quando acontece alguma coisa, ambas se modificam." (C. G. Jung )



Quando vamos fazer um bolo, começamos por medir as quantidades dos distintos ingredientes: farinha, manteiga, ovos, açúcar, leite. Porém quando os misturamos numa determinada ordem e os levamos ao forno numa certa temperatura, de alguma maneira acabamos criando algo completamente diferente.
A composição química dos ingredientes muda irreversivelmente; a aparência, o cheiro e o gosto do bolo são diferentes dos de qualquer um dos ingredientes que usamos para fazê-lo. Numa mágica - que o químico poderia explicar, mas o cozinheiro geralmente não entende -, ocorre um processo de transformação que não é outra coisa senão um milagre.
Certos ingredientes, combinados com perícia, transformam-se numa iguaria maravilhosa. Outros transformam-se numa sobremesa aceitável, mas sem muita graça.
E, por mais maravilhosos que pareçam no livro, há outros ainda que acabam se transformando num daqueles fracassos culinários que nos ensinam a procurar outra receita na próxima vez. Mas o maior de todos os mistérios é que certas pessoas gostam de determinados bolos e acham outros indigestos - e ninguém sabe por quê.
O relacionamento entre as pessoas é bem mais enigmático que a culinária, pois o psicólogo - ao contrário do químico, que observa as alterações na estrutura molecular de ovos e farinhas - jamais terá condições de reduzir completamente a nossa interação a uma fórmula racional. Existe um profundo mistério no âmago de cada relacionamento que sempre elude nossas tentativas de explicar por que estamos com esta pessoa e não com aquela.
No entanto, o princípio essencial é o mesmo. Pegue os ingredientes fornecidos por dois seres humanos distintos e os misture na tigela de um relacionamento íntimo.
Bata-os bem e os exponha ao calor - o calor do desejo sexual, da carência emocional, dos conflitos, da troca intelectual, dos desafios do tempo e das circunstâncias do dia-a-dia, da idealização e da inspiração - e, através de uma extraordinária alquimia, cria-se uma nova entidade, com sua força de vida própria, sua própria visão e inteligência e sua própria identidade, que é independente e distinta das identidades das duas pessoas que a geraram.
Mais misterioso ainda é o efeito que essa nova entidade exerce sobre o caráter e o desenvolvimento das pessoas envolvidas. Na melhor das hipóteses, cada uma delas poderá crescer e desabrochar por obra do efeito transformador do relacionamento.
Na pior, ambas podem sofrer. Ou ainda, o relacionamento pode ser saudável para um dos parceiros e, por mais delicioso que seja, fazer mal ao outro.
Certas pessoas conseguem extrair o melhor de nós; outras, só o pior.
E isso não está necessariamente relacionado à maneira como os parceiros nos tratam.
Às vezes, sentimos uma profunda compaixão diante das fraquezas de um determinada pessoa e só raiva e desprezo diante das mesmas fraquezas em outra.
Somos capazes de cultivar e expressar talentos e habilidades num relacionamento que, em outro, ficam misteriosamente bloqueados - a despeito de qualquer incentivo ou obstrução do parceiro.
Certas vezes, nem um grande amor consegue impedir a gradual erosão da confiança e do entusiasmo de uma ou ambas as pessoas.
Às vezes um par mal combinado, que sempre foi infeliz, inexplicavelmente permanece junto a vida toda, ao passo que outro que possui muito em comum, no qual os parceiros são muito apegados, é forçado a se separar, apesar de seu desejo mútuo e sincero de preservar o vínculo. Muitos relacionamentos fracassados se devem a atos destrutivos e não intencionais de ambos os envolvidos.
Esses fracassos poderiam ser evitados e até radicalmente transformados com percepção e esforço conjunto. Com muitos outros, nada se pode fazer, apesar de todos os esforços e toda a percepção.
Todo relacionamento envolve muitos ingredientes, alguns conscientes e outros inconscientes. E, por mais que analisemos o parceiro e a nós mesmos, às vezes precisamos aceitar a existência de alguma inteligência superior em nossos padrões de relação.
Apesar de tudo, qualquer que seja a natureza e o desfecho de um relacionamento, quando, como diz Jung, "acontece" alguma coisa, ambos os parceiros mudam para sempre.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Solte, desapegue, deixe ir embora...



Uma pequena estória.
O Mestre e seu discípulo caminhavam em silêncio.

Ao se aproximarem da beira de um rio, notaram que uma mulher tentava atravessá-lo, mas não conseguia sozinha.

Imediatamente, o Mestre a tomou nos braços e a carregou até o outro lado da margem. Soltou-a e continuou sua caminhada, tendo ao seu lado o discípulo que o acompanhava.
Caminharam, quando no final do dia, o discípulo não agüentou e falou:

- Mestre, preciso desabafar! O senhor cometeu um gesto que contradiz as regras. Sabemos que não podemos tocar uma mulher e o senhor não só tocou uma como a carregou até a outra margem do rio... Como poderei confiar no senhor novamente se a regra não foi cumprida?

O Mestre, surpreso, respondeu:

- Do que você está falando?!?
E ao olhar para o semblante angustiado do discípulo, rindo-se, lembrou em voz alta:

- Ah! Da mulher que deixei lá atrás, no rio... Você ainda a está carregando?!?


Assim como o discípulo, ficamos apegados a algo que já foi, que já acabou, que já passou... e esse 'peso morto' vai machucando nossos pensamentos, contaminando nossos sentimentos, envenenando nosso coração e nos induzindo a palavras e atitudes insanas, que só nos fazem mal; que servem, sobretudo, para nos fazer patinar e patinar sem sair do lugar... espalhando lama para todos os lados e sujando tudo ao nosso redor!
Seja lá o que for – especialmente uma relação que se acabou – solte, desapegue, deixe ir embora...

Abra seu coração e sinta sair de dentro de você às culpas, os erros, as regras não cumpridas, o que fez sem querer fazer, e o que não fez querendo fazer...

Enfim, tudo que já não serve mais, que acabou, que já foi!
Que o passado seja apenas aprendizado; experiências que tornam você mais amadurecido, menos iludido, mais autêntico, menos dolorido.

E com seu coração esvaziado da lama que o fazia patinar, você possa enxergar o que 'é' e o que poderá 'ser'. Afinal, é exatamente para nos lembrar desta possibilidade que o Grande Mestre nos deu um presente que 'separa' o dia de ontem do dia de amanhã: a noite – prenúncio de uma nova chance!

O amor definitivamente não pode ser enlouquecedor!


Poucas situações na vida são mais enlouquecedoras do que conviver com uma pessoa que fala uma coisa, mas faz outra. Pessoa que vive dizendo que gosta, que está a fim, que quer ficar, mas suas atitudes demonstram exatamente o contrário.
Não cumpre o que combina, diz que vai ligar e não liga, é nitidamente superficial e age como se o outro tivesse bem pouca importância.
Depois dessa prática toda, imediatamente, vem com palavras doces, tentando convencer de que estamos equivocados, redondamente enganados, ou seja, promessas, juras de amor, pedidos de desculpas, propostas de recomeço e, enfim, está armada a arena dos loucos.

Surgem sentimentos como aflição, angústia, insegurança, sensação de que não tem nenhum motivo para continuar apostando nesta relação, mas ao mesmo tempo, a esperança de que – desta vez – quem sabe seja verdade.
Só mais uma chance, a última... e de última em última, acumulam-se mágoas, decepção e falta de autoconfiança; porque essas pessoas insistem em desmentir sua intuição, sua percepção de que "já acabou"... ou de que nem nunca existiu essa relação senão na idealização delas.
Até certo ponto, é compreensível, pois fica a dúvida no ar: se ele fala tudo o que fala é porque deve haver algum sentimento.

O talvez é mesmo uma possibilidade.
Talvez haja mesmo uma mudança de atitude, mas certamente isso não acontecerá enquanto for mantida esta dinâmica confusa e desrespeitosa.
Por outro lado, pode ser que algumas pessoas assim nunca mudem, simplesmente porque não estão dispostas a se rever, por quaisquer que sejam seus motivos.
E aí, é provável que precisemos cair muitas vezes na mesma armadilha até perceber que o problema não está na nossa maneira de caminhar e sim no caminho; que não temos de mudar nossos passos, e sim a direção.
Mas até ai se passaram longos anos se machucando, assistindo do camarote de sua vida a chegada de mais uma dor, mais uma mentira, mais uma decepção, sem nada fazer.
E o que fazer para dar um basta nisso tudo????

Aceitação dos fatos: Basta que se descubra o significado de um sentimento chamado auto-respeito. Respeitar-se é ter a convicção de que ninguém, a não ser você mesmo, pode acabar com uma circunstância que tem lhe causado muito mais desgosto e vazio do que alegria e satisfação.
Aceitar que ninguém tem o direito de tirar o nosso centro e assim apostar num outro tipo de relação.
Aquele tipo em que as palavras ditas são coerentes com as atitudes tomadas. Ou seja, em que o outro diz que quer e age como quem quer, porque o amor definitivamente não pode ser enlouquecedor.

Texto adaptado do artigo: A diferença entre quem quer e quem não quer! - De Rosana Braga

Para complementar o texto acima um Poema de Letícia Thompson

Poema inacabado

Você fica em minha vida
Como um poema inacabado
Como a Sinfonia
Beleza não finda
Porque soube ser começo
Mas não fim.
Você fica e eu sigo
Ou você segue e eu fico
Sempre desencontrados
Um buscando a estrada
O outro a direção.
E o fogo que arde aqui dentro
Magoa a mulher
Queimando a alma
Matando os desejos
Se apagando aos poucos.
Não acho poesia
Para terminar você!
Ai!... Como isso dói
De não saber
Construir um fim!
De não ficar
Que a metade de mim!
E você fica assim
Como reticências
No fim de um poema.
E eu, desiludida (enlouquecida)
Sigo a vida
Com esse amargo na boca
Por não saber ter tido
A rima final.