sábado, 22 de agosto de 2009

Beba de mim



























Quero que você
Sacie sua sede de mim.
Que me beba e me tome,
Que se embriague
Do meu amor
Como do mais puro vinho,
Que me envolva e te envolva
Em lençóis de linho,
Beijos, carícias e carinhos...
Que você caminhe
Por meus caminhos,
Que me descubra,
Para que eu te renda
No auge desse instante,
Toda essa magia
Que vem de você
E me envolve
Em sonhos
Dos quais não quero acordar.

© Letícia Thompson



sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Tá tão difícil fingir que tá fácil!




Realmente é muito difícil, em alguns momentos de nossa vida, fingir que tá fácil, mas ainda assim a gente insiste em fingir, sem se dar conta de que isso só aumenta mais a dificuldade, tanto a física, quanto a mental e, principalmente, a emocional.

Ficar fazendo cara de feliz e até sorrindo feito bobo, só pra disfarçar a dor que lateja por dentro, a tristeza que machuca sem parar, a mágoa por algo que aconteceu e não sabemos o que fazer com a realidade.

Talvez um emprego que perdemos ou nem conseguimos conquistar; um amor que acabou ou que nem começou; um amigo ou irmão com quem brigamos e não sabemos como fazer as pazes; uma raiva absurda que toma conta da gente por causa de uma situação em que nos sentimos contrariados, diminuídos, humilhados...

Enfim, muitas vezes, vivemos situações que nos provocam o desejo de xingar, gritar, esbravejar, argumentar e chorar feito criança, sem se importar com as caretas, as lágrimas, o barulho... só chorar, chorar e chorar até pegar no sono... Mas não! Não nos permitimos amolecer. Permanecemos durões, engolindo a dor a seco, sentindo a tristeza passar pela garganta como se fosse espinha de peixe enroscada... arranhando, incomodando, doendo mais. E lá estamos nós... fingindo que está fácil!

Pois bem, não sei quanto a você, mas estou decidida, cada vez mais, a mostrar o que sinto, mesmo sabendo e confessando que também não é nada fácil. No entanto, é bem mais fácil se expor e mostrar os sentimentos, tentando digeri-los e transformá-los em aprendizado, do que fingir, camuflar, parecer sem ser, viver sem se aprofundar, amar sem ser intenso, sentir sem se entregar.

Não estou, de forma alguma, sugerindo que você alimente sentimentos como raiva, tristeza e desesperança. Muito pelo contrário: estou sugerindo que você os assuma, sinta-os e, assim, possibilite o fim de cada um deles. Porque enquanto a gente finge que não está sentindo, eles continuam lá, enroscados. Mas quando a gente se assume e os expõe, eles passam, acabam, vão embora. Claro que, sobretudo, este tem de ser o nosso objetivo!

Aproveito, então, para sugerir: pare de fingir. Pare de sustentar um ego que só te faz ser quem você não é (ou seja, ninguém!) e te distancia de sua verdadeira essência. Pare de se importar tanto com o que vão pensar sobre você e se concentre mais na sua humanidade, na sua vontade de crescer e se tornar melhor, lembrando sempre de que a gente só consegue sair de um lugar e chegar a outro quando tem consciência de onde está e, sobretudo, para onde deseja ir.

Que você vá além e ultrapasse qualquer caminho que não seja o seu.
Saia do fingimento e vá para o autêntico, porque só assim é que a vida vale a pena e é só aí que o amor encontra espaço!

Rosana Braga

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Quem não deseja












Mafalda crescida

Quem não deseja não está procurando nada, não está interessado em nada, não precisa estar perto de ninguém. Olha apenas para a frente, o mínimo necessário para dar alguns passos sem cair, sem pensar em direções, viagens, paisagens, caminhos, pessoas que estão no carro ao lado no trânsito parado. Quem não deseja simplesmente vive seu dia de um lado para outro, evitando ir além dos horizontes mínimos estabelecidos, evitando tomar parte dos acontecimentos.

Quem não deseja até sente fome, mas é capaz de andar corredores inteiros de um supermercado sem encontrar nada que apeteça. Pra matar a sede, água, vinho, refrigerante, ou suco são iguais. Sente sono, mas não pensa nada antes de dormir, nem sonha, nem lembra-se de nada importante ao acordar. Tomar banho, lavar louça, engraxar os sapatos, regar o jardim são apenas coisas para se fazer sem maiores pensamentos ou memórias.

Para quem não deseja, tanto faz vestir branco ou vermelho, tanto faz o listrado ou o estampado, o liso ou o rugoso, tanto faz estar sozinho ou acompanhado, tanto faz aparecer na foto ou não, tanto faz se é de dia ou de noite. Melhor é o morno, o insosso, o médio. Se alguém telefonar, atenda; se algo se quebrar, conserte; se não serve mais, jogue fora; se morreu, enterre; se foi embora, despeça-se. A vida de quem não deseja é resignada e imediata.

Quem não deseja não fica nervoso com o que não dá certo, não tem vontades incompreensíveis, não fala mais alto, não tem repentes, não espera um telefonema especial, não fica indignado com política, não torce por time nenhum. Quem não deseja não fica ansioso com grandes projetos e planos, não fica angustiado com falta de dinheiro, não sente borboletas voando dentro da barriga, não se arrepia com aquela voz, não vê os olhos brilharem por nenhum motivo em especial. Quem não deseja não quer causar polêmica, não quer chamar atenção, não quer nada além do trivial e programado.

Quem não deseja não tem música especial, não tem sabor de sorvete preferido, não vê por que sair em noite de calor, nem lembra que tem estrela e lua no céu. Quem não deseja não se embriaga, não faz oração pra nenhum deus, não se preocupa com o futuro - afinal, o futuro não vai ser muito diferente de hoje. Não chora, mas também não faz questão de sorrir. Não incomoda nem encanta ninguém. Não toma partido, não dá opinião, não defende nem ataca. Quem não deseja só quer passar desapercebido.

A vida sem desejo é medíocre, previsível, indiferente, absolutamente tranquila e insípida. Um arco-íris sem cor, um chiclete mascado, uma rosa sem perfume, um filme sem enredo.

A vida sem desejo é vivida em paz e quietude.

Pena que isso não seja vida.

sábado, 11 de julho de 2009

QUERES QUE TE AME DE VERDADE?












por ellzza


Então te desarma!
Começa abrindo teu coração.
Deposita na lixeira:
A indiferença,
A preguiça,
O desrespeito,
A falsidade,
A mentira.
Separa para um lado:
A solidariedade,
A compaixão,
A caridade.
No outro lado, deixa:
A simplicidade,
A sinceridade,
A fidelidade.
Na base, planta o amor.
No centro, semeie a paz.
Sobre tudo,
Gotas de romantismo.
Ainda queres saber se te amo?
Sim. Com toda a minha vida.

Toque


Nós nos tocamos, pelo coração.
O amor é o elo que nos une.
E nem a distância pode quebrar isso.
Nós nos sentimos...
E as estrelas são nossas testemunhas.

sexta-feira, 1 de maio de 2009














Campo Grande - MS

A palavra coragem é muito interessante.
Ela vem da raiz cor, que signfica coração.
Portanto, ser corajoso significa viver com o coração.
E os fracos, somente os fracos vivem com a cabeça; receosos, eles criam em torno deles uma segurança baseada na lógica.
Com medo, fecham todas as janelas e portas - com teologia, conceitos, palavras, teorias - e do lado de dentro dessas portas e janelas fechadas, eles se escondem.

O caminho do coração é o caminho da coragem.
É viver na insegurança, é viver no amor e confiar, é enfrentar o desconhecido. É
deixar o passado para trás e deixar o futuro ser.
Coragem é seguir trilhas perigosas.
A vida é perigosa.
E só os covardes podem evitar o perigo - mas aí já estão mortos.

A pessoa que está viva, realmente viva, sempre enfrentará o desconhecido.
O perigo está presente, mas ela assumirá o risco.
O coração está sempre pronto para enfrentar riscos; o coração é um jogador.
A cabeça é um homem de negócios.
Ela sempre calcula - ela é astuta.
O coração nunca calcula nada.

Coragem significa enfrentar o desconhecido apesar de todos os medos.
Coragem não significa ausência de medo.
A ausência de medo acontece se você passa a ser cada vez mais corajoso.
Essa é a experiência máxima de coragem - a ausência de medo.

É esse o sabor quando a coragem tornou-se absoluta.
Mas, de inicio, não há muita diferença entre o covarde e o corajoso.
A única diferença é que o covarde dá ouvidos aos seus medos e os segue, enquanto o corajoso os põe de lado e segue em frente.
O corajoso enfrenta o desconhecido apesar de todos os medos.
Ele conhece os medos, eles estão ali.

Enfrentar o desconhecido dá a você certa excitação.
O coração começa a pulsar novamente, volta a se sentir vivo, totalmente vivo.
Cada fibra do seu ser está vibrando porque você aceitou o desafio do desconhecido.

Aceitar o desafio do desconhecido, apesar de todo o medo, é coragem.
Os medos estão ali, mas se você aceita o desafio várias vezes seguidas, devagarinho os medos desaparecem.
A experiência de alegria que o desconhecido traz, o grande êxtase que começa a acontecer com o desconhecido, torna você forte o bastante, lhe dá certa integridade, aguça sua inteligência.

Basicamente coragem é pôr em risco o conhecido em favor do desconhecido, o familiar em favor do estranho, o confortável em favor do desconfortável - árdua peregrinação rumo a algum destino desconhecido.
Nunca se sabe se você será capaz de fazer isso ou não.
É um jogo arriscado, mas só os jogadores sabem o que é a vida.


Osho, do livro: Coragem, o prazer de viver perigosamente.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Superação















Eu pedi força,
E Deus me deu dificuldades para me fazer mais forte.
Eu pedi sabedoria,
E Deus me deu problemas para resolver.
Eu pedi prosperidade,
E Deus me deu um cérebro e músculos para trabalhar.
Eu pedi coragem,
E Deus me deu perigo para superar.
Eu pedi amor,
E Deus me deu pessoas para ajudar.
Eu pedi favores,
E Deus me deu oportunidades.
Eu não recebi nada do que pedi,
Mas eu recebi tudo o que eu precisava!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Enfim...


Eu queria aprender uma forma de fazer as coisas parecerem mais simples.
De não ter dor.
De não ter vazio.
De apenas ser.
Eu poderia passear na rua sem sentir falta de nada.
Sem sentir solidão.
E sorrir quando eu estiver no meio de muita gente, mas sem nada pra falar.
E cantar, enquanto estiver no meu quarto.
Só.
E poder ajudar minha mãe, sem o coração apertado e o nó da garganta que quase me fazem a interromper para chorar meus próprios problemas.
Que não são concretos.
É só uma dor.
Que não mata, mas faz perder a cor.

Ana Fernandes

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

"Podes apagar alguém da tua mente,
mas tirá-lo do teu coração é outra
história."

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Das Palavras - Ostra














Palavras são serpentes
iludem
ferem
ludibriam
Palavras são enganos
engodos
equívocos
medos disfarçados de coragem
covardia travestida de canção
Palavras são supérfluos
exageros buscando expressão
teias enredando incautos
EU!
Palavras definem vidas e, por vezes,
- só as vezes! -
conceituam breves verdades paralelas.
Palavras prendem, confinam convicções
confundem
derrubam
confirmam o que os gestos cansam de saber
Palavras são bolhas de sabão
coloridas, finas, efêmeras
Voam com o vento
desaparecem sem vestígios
e se vão sem rosto
à procura de outros ouvidos.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Será o Medo???


















Não é o medo de se envolver.
O que trava um homem é algo mais básico:
MEDO DE VIVER.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Divagar ou devagar???



Quando pensamos ter todas as respostas, a vida muda todas as pergunta!
Hoje eu disse para uma pessoa que ler seus textos me fazia ficar mais perto dela.
Em seguida ela me enviou outros textos.
Será que posso interpretar que ela quer, de alguma forma, se fazer presente?
Ou será que eu tô vendo algo que não existe?
Não sei...
Só sei que foi assim!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Anjo



Subitamente uma tristeza me invade,
Deixo-a entrar pelos meus poros,
Feito uma musica suave que chega até a alma.
Um anjo triste acordou dentro de mim.

Sinto o seu abraço de aconchego,
De cuidado,
De carinho,
Suave.

Como quem se atira a um precipício
em busca do desconhecido,
Me entrego ao abraço,
Sem medo,
Sem pudor,
Sem temor.
Um anjo triste acordou dentro de mim.

Acordei sentindo o calor do seu abraço.
Fechar os olhos e o sinto novamente...
Intacto
Pleno
Hoje despertou um anjo triste dentro de mim.
Cida Miranda

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2008

Céu de Campo Grande - Foto de Shimada San

Tá!
Não foi lá um ano de grandes vitórias,
mas foi um ano para aprender a construir e a ter paciência.
Aprender a ouvir o corpo e o coração, com calma.
Na contabilidade final teve mais ganhos do que perdas.
Fechou com algumas pontas soltas, eu sei!
Claro! Senão teria sido perfeito!
Foi um ano pleno de amadurecimento.
Um ano com luz e cor inteiramente novas.
Com mais sorrisos,
mais abraços,
mais descobertas.
Que venha 2009.
Com muito mais força
muito mais vida para minha vida,
Venha e traga muito mais enganos,
mais conquistas,
mais alegrias,
mais dor,
mais leveza,
mais medo,
mais tropeços,
mais amor,
enfim traga muito mais plenitude e felicidade.
Cida Miranda

Desapegue-se do amor, apenas AME.



Texto muito legal da Rosana Braga, para iniciar o ano refletindo.

É verdade que todos nós temos certo grau de neurose, insegurança e até fases em que a auto-estima fica comprometida. Por isso mesmo, tantas vezes as relações amorosas se tornam pesadas, tensas e até doentes.

Cada um se defende como sabe, seja agredindo e culpando o outro, seja ignorando a situação ou procurando medidas paliativas. Algumas pessoas se defendem “para dentro”, calando-se, chorando, sentindo-se reféns de uma situação com a qual não sabem lidar. Outras explodem, falam tudo o que devem e o que não devem e mais tumultuam do que propõem uma solução. Raramente, conseguimos ponderar os fatos, considerar os erros de forma justa e equilibrada e rever atitudes, sugerindo um novo jeito de sentir os sentimentos.
Parece redundante esta expressão – jeito de sentir os sentimentos – mas é a maneira como sentimos cada um dos sentimentos que nos invadem que determina nossas escolhas e faz com que nos comportemos de modo maduro ou infantil, amoroso ou egoísta.
Porém, o caos se instala especialmente no momento em que nos sentimos “donos” do outro, donos da relação, donos da instituição formada em nome de um amor que ninguém mais sabe onde mora, porque cedeu lugar ao apego.

Apego é um veneno e, infelizmente, a maioria de nós já está absurdamente envenenada por este sentimento. Apegamo-nos tão facilmente às pessoas, às coisas, aos lugares, às situações, à rotina, à indisciplina... Confundimos tão facilmente apego com amor. Acreditamos tão facilmente que o outro pode ser um analgésico para nossas dores, um preenchimento para o nosso vazio ou ainda, paradoxalmente, a causa de todo o nosso sofrimento... e assim, desperdiçamos nossos dias investindo em relações doentes, em sentimentos que amarram, que submetem, que pedem muito mais do que oferecem, que subtraem muito mais do que presenteiam.
Perdidos em contra-sensos particulares, acreditamos que o outro é nosso e, tantas vezes, que também nós somos do outro. Como se fôssemos passíveis de posse. Não somos – nem nós e nem o outro, sobretudo porque existimos genuinamente no singular; jamais no plural, por mais que eu acredite fundamentalmente na evolução através de dois corações compartilhados.

Portanto, num deslize de percepção, caímos numa armadilha tecida por nós mesmos e nos afogamos numa tempestade que é pessoal, que é interna, da qual só podemos nos salvar se, enfim, resgatarmos a consciência de que estamos – e só permanecemos – onde queremos, onde certamente ganhamos algo, ainda que este ganho seja, antes, profundas e graves perdas!
Felizmente, não existem perdas irreparáveis, até porque em cada perda existe sempre a oferta de um impagável aprendizado. O irreparável incide somente sobre a estagnação, a insistência diante da dor, a recusa em transformar-se, em superar-se.

“A quê ou a quem estamos nos apegando?”. Segure-se em si mesmo e descubra que é aí – e somente aí – dentro de você, que está o seu chão, que estão as suas ferramentas, as suas possibilidades, a sua única probabilidade de sentir-se leve, desprendido de qualquer expectativa ou idealização que possa lhe roubar a identidade.
Solte-se das pessoas, solte-se das relações, solte-se dos sentimentos, todos eles. Vida, sentimentos e pessoas existem para serem vividos, sentidos e amados e não para que nos apeguemos a eles, para que acreditemos – inadvertidamente – que eles são nossos, são posses, são para sempre.

Você pode amar sempre, mas ainda assim o amor nunca será seu. Será de você para o mundo, para alguém, para muitas pessoas. O que você acha que é seu não é de ninguém, nem seu. E o que você sabe que não é de ninguém, pode ser seu, desde que você não tente segurar, apenas predisponha-se a sentir, viver, experimentar.
Se pudermos fazer isso com toda a intensidade de que somos capazes, talvez consigamos compreender o verdadeiro significado da palavra plenitude... em substituição à avassaladora palavra “apego”.
Desapegue-se do amor. Apenas ame!