quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Verdadeira Vontade - Fabricio Salim


Eu não quero.
Eu não quero palavras bonitas e sentimentos vazios.
Eu não quero juras, promessas, planos e sonhos, se algo irá derreter adiante.
Eu não quero olhares fixos, quando o pensamento voa longe.
Não quero mensagens meramente ilustrativas.
Não quero o desejo vão, o tesão fulgás, os abraços partidos.
Não quero os beijos burocráticos, quando se quer beijar outras bocas.
Não quero presentes, lembranças e todo o materialismo do capital.
Eu não quero comparações, não quero mesmo.
Eu quero o peito aberto, os poros livres, o coração batendo na mesma freqüência.
Eu quero sorrisos sinceros, dizeres mais ainda, a mão na tua mão.
Com firmeza.
Eu quero confiança, quero carregar a cruz e a delícia dos perfeitos imperfeitos.
Eu quero todas as dificuldade para tentar transpô-las e ter satisfação no final.
Quero poder estar, de verdade, esquecer do mundo e apenar ficar feliz por estar.
Eu só quero a verdadeira vontade.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pai depois do casamento é exceção!

Um texto para reflexão e para que a gente não finja que isto não acontece.

Durante o casamento os homens tem inúmeras funções dentro de casa:
trabalham fora,
fazem comida,
levam e buscam filhos,
lavam roupa,
fecham janelas e portas antes de dormir,
recolhem a roupa do varal,
tiram o lixo do banheiro...
e até cuidam dos filhos.
Alguns trocam fraldas,
lembram dos remédios dos filhos,
sentam para ajudá-los a realizar os temas,

levam e buscam da escola,
escolhem as roupas,
dão banho,
fazem a comida dos filhos...
Mas basta o casamento terminar que esses mesmos bons pais transformam-se em verdadeiros estranhos ou até mesmo deixam de ser pais: contentam-se em telefonar nas datas especiais, a ver os filhos a cada 6 meses, chegam atrasados 10, 15, 30, 60 minutos ou até horas e as vezes nem chegam
Isso quando chegam.
Porque muitas vezes não aparecem, não telefonam nem para avisar que não vão vir.
E os filhos na janela esperando.
Enquanto isso uma horda de filhos no mundo desejando um olhar desses pais.
Vibram cada vez que o pai chega, mesmo que atrasado.
Esperam, pacientemente, que o pai lembre-se de convidá-los a jogar uma bolinha.
Eis uma geração de filhos pedintes dos cuidados do pai.
Uma geração que vive se perguntando "o que eu fiz para o meu pai não querer ficar comigo?"
Para essa indagação não há consolo.
Nenhuma mãe ou avô é capaz de convencer o filho que o problema não está na criança e sim no pai.
O filho, eternamente, guardará essa falta.
E o pior guardará junto a marca da rejeição e da longa espera.

O que falta aos que se vão?
Vínculo?
Amor?

Responsabilidade???
O que sobra?
Medo?
Indiferença?

Transferência de responsabilidade?
Não sei.
A única coisa que sei é que os filhos estão crescendo com um buraco dentro deles.


Adaptado do texto de Sonia P. Machado

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Sathya Sai Baba


O homem busca a felicidade em lugares distantes
e procura a paz em lugares calmos;
mas o paraíso da paz está em seu coração.
Mesmo quando anda sobre a lua,
o homem leva consigo seus temores,
suas ansiedades, seus preconceitos e suas aversões.
Tenha fé em Deus e na retidão da vida moral.
Então você pode ter paz e felicidade,
qualquer que seja o preço que o destino lhe apresente.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008



Posso ser leve como uma brisa,
ou forte como uma ventania,
depende de quando,
e como você me vê passar

Clarice Lispector


Muitas pessoas levam seus cães para passear.
Eu levo meus olhos e meus pensamentos.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Rejeição por Andrea Pavlovitsch


Você já foi rejeitado? Aposto que sim.
Aposto como aquela menininha linda da quarta-série não queria nada com você e quando você escreveu no bilhetinho "Quer namorar comigo?" com dois quadradinhos ao lado do SIM e do NÃO, ela assinalou um X no não tão forte que até furou o papel.
E aposto que você ainda se lembra de quando o seu pai comprou um presente para o seu irmão mais novo, e não para você.
Ou quando, sentado na sala de espera da entrevista de emprego, percebeu o quanto o ex-futuro chefe gostou muito mais do currículo da candidata que entrou antes de você. Ou dos peitos, que seja!
A rejeição acontece. O tempo todo. Seja na fila do ônibus, seja no trabalho, mas onde ela realmente pega, são nas relações amorosas.
Perdi a conta do número de vezes que consolei minhas amigas rejeitadas pelos pretendentes. Perdi a conta do número de vezes que eu precisei delas para que me consolassem. A rejeição amorosa mexe em um lado nosso que nem sabíamos que existia. É como se, por alguns instantes, um imenso buraco abrisse debaixo dos nossos pés (a famosa sensação de estar sem chão)
A cabeça fica turva, os olhos começam a lacrimejar, a garganta fecha completamente.
É dor. Na sua forma mais pura, mais profunda.
É como se fossemos, naquele momento, lixo. Quando estamos realmente, de verdade, apaixonados então a coisa piora. E muito. E não pense que precisamos das famosas palavras "eu não te amo mais" para nos sentirmos assim. Rejeição, quando começa, se sente. Sentimos nos olhares para a mesa ao lado do restaurante. Sentimos quando não importamos mais para aquela pessoa, quando tudo o que fazemos para ela ou para ele parece nada. É como se fosse uma coisa comum, por mais que nos esforcemos, não tem nenhum significado para o outro.E como é duro se conformar com isso.
Quando ele chega e diz "Acabou!" ficamos inconformados. Por quê? Como? Não entendemos nada porque não conseguimos ler os sinais. Pensamos: "Mas como pode, estava tudo tão bem?". Mas não estava há tempos.
Por isso acredito que a rejeição nos cegue. Talvez para que doa menos. Talvez para que possamos passar melhor por isso. E todos fogem da dor, o tempo todo.
A dor das necessidades da vida.
A dor de perder, de desapegar.
A dor de mudar uma rotina que gostamos tanto.
De esquecer, de deixar de gostar, de deixar de sentir necessidade e de sentir necessário.
De fato, a rejeição mexe com o que existe de mais primitivo em nós.
Quando somos bebês não queremos, e nem podemos ser rejeitados pelos nossos pais. Dois dias sozinhos neste mundo cruel, sem comida, sem leite, sem cobertores nós até sobrevivemos. Mas um dia, que seja, sem carinho e sem toque, e não existiremos mais.
A rejeição, portanto, mexe com o nosso instinto de sobrevivência, de capacidade de conseguir chegar numa idade em que poderemos nos virar sozinhos.
Mexe com as necessidades de carinho e de afeto que só uma mãe pode dar. E são estes os sentimentos que aparecem quando acontecem as outras rejeições na nossa vida.
É como se todas as outras remetessem a rejeição original que pode ser desde um "não sei se quero mesmo ter esse filho" até um abandono na cesta de lixo ou num rio, como está tanto na moda.
E isso sempre é dolorido. E muito.
Mas porque somos rejeitados? Essa é a pergunta que todos gostariam de ver respondida.
Não existe uma fórmula. Não adianta você ser a mais bonita, a mais gostosa e a mais inteligente do planeta. Isso não fará com que você não precise passar por isso. E procuramos tanto nos "ajeitar" para evitar a rejeição. Enchemos-nos de botox, levantamos o bumbum, fazemos ginástica, aprendemos a falar direito. Qualquer truque! Para que aquela pessoa, aquela pessoa especial que amamos tanto e que escolhemos, também escolha a gente. E, um dia, um belo dia, descobrimos que nada do que fizermos vai adiantar muito. A rejeição, feliz ou infelizmente, está relacionada à energia.
Simplesmente não deixamos de gostar de alguém porque a pessoa tem esse ou o outro defeito. Tantas mulheres aturam maridos bêbados e espancadores por medo da rejeição.
Tantos homens sustentam mulheres que não merecem por medo de serem rejeitados por elas. Na pior das hipóteses, o medo da rejeição vira um imenso jogo. E se a pessoa amada sabe se aproveitar desse jogo, com certeza, o outro sofrerá muito.
Mas o que é a rejeição então?
A rejeição, portanto, é o quanto a gente se rejeita. O quanto achamos que não somos suficientemente perfeitos. O quanto não nos aceitamos como somos. É muito fácil aceitar um homem, ou uma mulher, que amamos como eles são. Até achamos os defeitos pequenos charmes passíveis de perdão. Mas quando cometemos um erro, quando fazemos algo de não gostamos, nos culpamos, nos rejeitamos. E quanto mais você se rejeita, mais o Universo vai mandar pessoas para você em forma de rejeição.
É como se você estivesse pedindo isso para o Universo o tempo todo.
Vibrando a rejeição, atraímos a rejeição.
Então, como nós livrarmos da rejeição?
O primeiro passo é uma grande, imensa, faxina interna.
Sente-se um dia, com você, e se lembre de todas, todas, todas as ocasiões em que foi rejeitado ou que se sentiu assim.

Chore, grite, esbrajeve. Soque umas almofadas, faça qualquer coisa que te faça sentir melhor, mas, por favor, não entre no coitadinho de mim. Você não é o único rejeitado do planeta e pode, muito bem, agüentar isso.
Livre-se daquela coitadinha que não pode mais viver por ter sido rejeitada. Simplesmente mande ela embora da sua vida.
Segundo passo, e mais importante, amar a si sobre todas as coisas.
Aprender a amar os seus erros, os seus defeitos, as suas atitudes impensadas, as coisas que você fez e não deram certo, os fracassos.
Pense que tudo no Universo está sempre no local e na sintonia certa e que se essas coisas te aconteceram é porque tinham que acontecer.
Não pense que seria diferente, que você teria feito outras escolhas, porque não teria.
As coisas são o que são.
Aceite-as.
Aceite a si e, assim, você também vai aceitar o próximo.
Pense nas vezes em que você rejeitou alguém.
Pense que você pode ser a menininha da quarta-série que respondeu a enquete.
Pense que, muitas vezes, você teve que rejeitar uma pessoa que você sabia que não tinha nada a ver com você.
Essa é a dinâmica da vida e não é você quem vai modificá-la.
Simplesmente aceite.
Então, a lição de casa para a rejeição é a aceitação.
E se isso te fizer chorar, chore.
Se isso te fizer sofrer, sofra.
Não é vergonha para ninguém passar por isso, não é humilhação.
Humilhação, de verdade, é deixar de se amar e esperar que o outro faça isso por vocês dois.
Você é um ser humano perfeito!
Com todas as suas imperfeições.
E está numa grande escola chamada Vida, onde você pode errar a vontade.
E sempre, sempre, sempre se perdoar por isso.

domingo, 3 de agosto de 2008

Reflexão para o dia de hoje

Picos e vales
A evolução da consciência passa através de muitos altos e baixos.
Muitas vezes ela descerá apenas para subir mais alto que antes.
Ela passa através de vales para alcançar picos, e cada pico é apenas o início de uma nova peregrinação, porque um pico ainda mais alto está adiante.
Mas para alcançar o pico mais elevado, você terá que descer novamente.
Uma vez que você tenha entendido que isso é natural, todo o sofrimento, todas as nuvens simplesmente se dispersarão.
Assim, a primeira coisa a ser lembrada é: nunca fique preocupado quando chegam os dias de descer; mantenha sempre seus olhos nas estrelas mais distantes.
Os vales fazem parte das montanhas.
Não se pode acabar com os vales e deixar apenas as montanhas.
Uma vez que você entenda isso profundamente, você irá passar através dos vales dançando e cantando, sabendo perfeitamente bem que há um pico mais alto à sua espera.
E não há fim para essa peregrinação.
Assim como cada dia é seguido por uma noite, cada elevação é seguida por uma descida.
A pessoa deve aprender a exultar-se não apenas durante o dia, mas durante a noite também - ela tem a sua própria beleza.
Os picos têm sua glória, os vales têm sua riqueza.
Mas se você habitua-se apenas aos picos, você começa a escolher, e uma consciência que começa a escolher cria um problema.
Permaneça sem escolha e, não importa o que aconteça, aceite isso como parte natural do crescimento.
A noite pode tornar-se até mesmo mais escura, mas quanto mais escura a noite, mais perto está a alvorada.
Sendo assim, exulte-se na noite escura e aprenda a ver a beleza da escuridão, das estrelas, porque durante o dia você não encontrará as estrelas.
E nunca compare o que foi, o que deveria ser, ou o que é.
O que existe deve ser celebrado.

Osho, The New Dawn.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mude sempre


Mude tudo sempre.
Mude a cor do seu cabelo. Mude o corte, também.
Mude o lugar dos móveis da casa. Mude de casa também.
Mude o trajeto que você faz para ir ao colégio. O do trabalho também.
Mude o sabor do sanduíche predileto. E do sorvete também.
Coma menos carne e mais manga.

Menos refrigerante e mais água mineral.
Com gás.
Mude o estilo da roupa. Use mais branco. E mais vermelho também.
Mude.
Mude sempre.
Mude seus sentimentos em relação aos amigos. E aos inimigos também.
Mude seus cuidados com a pessoa amada. E por quem lhe ama também.
Mude sua generosidade pelos que pedem. E mais tolerância com quem se doa a você.
Mude sua visão do trabalho e com quem você reparte 1/3 de toda a sua vida.
Mude sua visão da morte, da eternidade e do medo de morrer.
Não culpe nunca ninguém pelo que lhe acontece. Nem Deus, nem o diabo nem a sorte.
Mude sua visão da responsabilidade. Você é o único responsável.
Cuide mais dos amigos, do seu pai e da sua mãe também.
Tenha um cachorro ou um gato. Com o nome bem pequeno.
Jogue fora o guarda-chuva. E a ansiedade também.
Às vezes fique só. Gente, o tempo todo, cansa.
E principalmente
Mude os cuidados com o seu corpo.
Ele é o seu primeiro e único verdadeiro patrimônio.
Sem ele você não muda. Nada.
É no corpo onde habitam todos os verdadeiros desafios.
Ele é todo o seu território no qual são feitas as mudanças.
Então dê uma chance verdadeira a ele.
Mude-o todos os dias
Respire mais, flexibilize-o mais, torça-o, distenda-o e finalmente relaxe-o.
Depois medite.
E tudo mudará para sempre.

Prof. Joris Marengo

Gente Assim

O mundo é como um espelho: sorria para ele e só verá sorrisos.

Há pessoas que ficam para sempre na lembrança.
Que você dá um sorriso só de lembrar qualquer coisa que remeta a ela.
Parece que é um sorriso da alma.
Isso não é coisa comum, também não é para qualquer um.
Pode ser que nunca mais as encontremos, que elas permaneçam para sempre na nossa gaveta de lembranças.
Mas sempre que abrirmos a gaveta elas saltam, deixam seu cheiro de passado, seu gosto do que foi sem importar o futuro. Gente assim! Não dá mesmo para explicar, nem para tentar encaixar. Ou é ou não é.
Simples assim!
Simples?

Mas como é que dá para ser simples se não é para qualquer um?
Não é por vontade.
Com alguns a gente até tenta.
Mas eles simplesmente não ficam.
E há outros que a gente nunca pensou que entrariam, e quando menos se espera, em um dia ensolarado qualquer, eles aparecem soltando o perfume dentro da bendita gaveta.
Daí se a gente pudesse filmar…

A nossa cara de bobos, abrindo um sorriso vindo de lugar nenhum, aqueles arrepios que só quem já teve sabe do que estou falando, um suspiro profundo, carregadinho de tantas sensações, iguais a um pé de jabuticaba em flor.

Daí vêm as músicas, as palavras guardadas, as promessas não cumpridas.
A essa altura não fazem mais aquele efeito devastador do passado.
Entraram para a parte das recordações.
Deixaram de ser classificadas como boas ou más.
Adquiriram outras qualidades.
Processo de mutação, transformação.

E a gente segue em frente.
Sem abandonar o que nos tornou o que somos hoje.
Costurando lentamente uma velha colcha de retalhos.
Fazendo desenhos e mosaicos mentais que ao fim da vida deveriam ser colocados junto à nossa lápide.
Por que isso sim, traduz o que fomos.
E não o frio e impessoal “aqui jaz”.

Flávia Gomes