
Uma pequena estória.
O Mestre e seu discípulo caminhavam em silêncio.
Ao se aproximarem da beira de um rio, notaram que uma mulher tentava atravessá-lo, mas não conseguia sozinha.
Imediatamente, o Mestre a tomou nos braços e a carregou até o outro lado da margem. Soltou-a e continuou sua caminhada, tendo ao seu lado o discípulo que o acompanhava.
Caminharam, quando no final do dia, o discípulo não agüentou e falou:
Caminharam, quando no final do dia, o discípulo não agüentou e falou:
- Mestre, preciso desabafar! O senhor cometeu um gesto que contradiz as regras. Sabemos que não podemos tocar uma mulher e o senhor não só tocou uma como a carregou até a outra margem do rio... Como poderei confiar no senhor novamente se a regra não foi cumprida?
O Mestre, surpreso, respondeu:
- Do que você está falando?!?
E ao olhar para o semblante angustiado do discípulo, rindo-se, lembrou em voz alta:
E ao olhar para o semblante angustiado do discípulo, rindo-se, lembrou em voz alta:
- Ah! Da mulher que deixei lá atrás, no rio... Você ainda a está carregando?!?
Assim como o discípulo, ficamos apegados a algo que já foi, que já acabou, que já passou... e esse 'peso morto' vai machucando nossos pensamentos, contaminando nossos sentimentos, envenenando nosso coração e nos induzindo a palavras e atitudes insanas, que só nos fazem mal; que servem, sobretudo, para nos fazer patinar e patinar sem sair do lugar... espalhando lama para todos os lados e sujando tudo ao nosso redor!
Seja lá o que for – especialmente uma relação que se acabou – solte, desapegue, deixe ir embora...
Abra seu coração e sinta sair de dentro de você às culpas, os erros, as regras não cumpridas, o que fez sem querer fazer, e o que não fez querendo fazer...
Enfim, tudo que já não serve mais, que acabou, que já foi!
Que o passado seja apenas aprendizado; experiências que tornam você mais amadurecido, menos iludido, mais autêntico, menos dolorido.
Que o passado seja apenas aprendizado; experiências que tornam você mais amadurecido, menos iludido, mais autêntico, menos dolorido.
E com seu coração esvaziado da lama que o fazia patinar, você possa enxergar o que 'é' e o que poderá 'ser'. Afinal, é exatamente para nos lembrar desta possibilidade que o Grande Mestre nos deu um presente que 'separa' o dia de ontem do dia de amanhã: a noite – prenúncio de uma nova chance!

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