sexta-feira, 30 de maio de 2008

Relacionamentos Recicláveis


As pessoas se tornam, forçosamente, ilustres desconhecidas, já que as relações sociais são restringidas ao mínimo necessário para a sobrevivência.
Quanto menos for o envolvimento emocional ou afetivo com o outro, melhor.
Para não haver compromissos.
Para não haver carências.
Para não sofrer rupturas.
Vivemos a era da superficialidade dos relacionamentos.

Numa visão egoísta da vida, as pessoas querem obter em seus relacionamentos: Satisfação!
O casamento passou a ser não mais aquele compromisso "até que a morte separe", mas "até que surja uma nova opção".
Entram e saem de casamentos como se troca de roupa diante do espelho da vida, na busca daquela que componha melhor o figurino da ocasião.

As desgastadas, puídas, envelhecidas, põe-se de lado ou simplesmente elimina-se ou troca-se num brechó da esquina por uma outra meia boca.
Esquecem que relacionamento é uma via de mão dupla: à medida em que eu procuro satisfazer meu parceiro, eu sou satisfeita.

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que se ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade,
É servir a quem vence o vencedor,
É ter com quem nos mata lealdade.
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

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